Dinheiro de ‘pobre’ sustenta Santa Casa, que ameaça fechar atendimento para o SUS

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Hospital sem fins lucrativos juntou no ano passado R$ 381,5 milhões, dos quais R$ 300 milhões vieram do SUS

Celso Bejarano

A cada R$ 100 que caíram na conta bancária da Santa Casa de Campo Grande, maior hospital de Mato Grosso do Sul, R$ 70 foram repassados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), de janeiro a dezembro do ano passado.

É o que aponta o fluxo de caixa da unidade de saúde mais antiga da cidade, propriedade da Associação Beneficente de Campo Grande, entidade filantrópica. A prestação de conta está publicada no site do hospital, na janela da transparência.

De acordo com o fluxo – movimento de entradas e saídas de dinheiro do caixa do hospital, isto é, o que recebe e o que paga – em 2018, a Santa Casa juntou R$ 381,5 milhões, dos quais 300,5 milhões saíram das contas do SUS.

O hospital, que vive crise financeira, segundo sua direção, arrecada dinheiro também por meio de convênios com o governo do Estado, prefeitura de Campo Grande, planos de saúde e doações.

De acordo com o levantamento publicado, ano passado, janeiro foi o mês de melhor arrecadação do hospital, período que amealhou R$ 66 milhões.

Desse montante, R$ 61,7 milhões foram repassados pelo SUS; R$ 3,2 milhões por meio de convênios e R$ 707,8 mil por cuidar de pacientes particulares.

O pior mês financeiro do hospital foi em julho, período que a Santa Casa juntou R$ 22,7 milhões, dos quais R$ 17,5 milhões foram repassados pelo SUS.

CRISES

A Santa Casa de Campo Grande, criada em agosto de 1917 (102 anos), sempre enfrenta crises financeiras, mesmo recebendo contribuições de setores públicos, como prefeitura, governo estadual e federal.

Na década de 1990 e início dos anos 2000, a crise por falta de dinheiro beirou o colapso financeiro. Houve temporada que a direção do hospital pôs cadeado no pronto-socorro, alegando falta de verba para comprar medicamentos e pagar os salários dos médicos e servidores.

Em 2005, por força de medida judicial, o hospital sofreu intervenção e passou a ser administrado por integrantes do governo estadual, prefeitura e até integrantes do Ministério da Saúde.

A gestão partilhada durou até 2013, ano que a entidade filantrópica retomou o comando do hospital.

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