Busca e apreensão do MP-RJ incluiu loja de Flávio Bolsonaro

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O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) cumpriu nesta 4ª feira (18.dez.2019) mandado de busca e apreensão em uma loja do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ). O filho mais velho do presidente detém 50% do estabelecimento, que integra uma franquia de chocolates.

A operação é 1 desdobramento da investigação sobre lavagem de dinheiro e peculato (desvio de dinheiro público) no âmbito do antigo gabinete de Flávio, quando era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (2003 a 2019). Foram cumpridos 24 mandados no total.

Frederick Wassef, advogado do Senador, declarou que a defesa só irá se manifestar quando tive acesso à medida cautelar que originou a ação. Ele acrescenta que “não irão encontrar nada” que comprometa seu cliente. Eis a íntegra da nota divulgada à imprensa:

“Recebemos a informação sobre as novas diligências com surpresa, mas com total tranquilidade. Até o momento, a defesa não teve acesso a medida cautelar que autorizou as investigações e, apenas após ter acesso a esses documentos, será possível se manifestar. Confirmo que a empresa do meu cliente foi invadida, mas garanto que não irão encontrar nada que o comprometa. O que sabemos até o momento, pela imprensa, é que a operação pode ter extrapolado os limites da cautelar, alcançando pessoas e objetos que não estão ligados ao caso”.

Entre outros alvos da operação estão endereços de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, e parentes de Ana Cristina Siqueira Valle, ex-mulher do presidente Jair Bolsonaro.

Queiroz é investigado após constatação de movimentações bancárias atípicas em suas contas. Relatório do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, hoje Unidade de Inteligência Financeira) apresentou a movimentação de R$ 1,2 milhão de 2016 a 2017. Os pagamentos recebidos por Queiroz eram em datas próximas da folha de pagamento dos funcionários do gabinete, o que leva a suspeita de devolução de parte do salário, a chamada rachadinha.

Em maio deste ano, a força-tarefa da operação obteve na Justiça a quebra dos sigilos fiscal e bancário de 96 pessoas e empresas para investigação. O caso ficou parado de julho até novembro. O MP-RJ aguardava posicionamento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a legalidade do compartilhamento dessas informações sem autorização judicial. O STF aprovou no mês passado a tese a favor dessa colaboração. Logo após a decisão do STF, o MP-RJ emitiu nota sobre o tema.

ALVOS

Abaixo, saiba os nomes dos 9 parentes de Ana Cristina Siqueira Valle investigados e que foram lotados no gabinete de Flávio de 2003 a 2019:

  • José Procópio Valle, ex-sogro de Bolsonaro;
  • Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada de Bolsonaro;
  • Francisco Diniz, primo de Ana;
  • Daniela Gomes, prima de Ana;
  • Juliana Vargas, prima de Ana;
  • Guilherme dos Santos Hudson, tio de Ana;
  • Ana Maria Siqueira Hudson, tia de Ana;
  • Maria José de Siqueira e Silva, tia de Ana;
  • Marina Siqueira Diniz, tia de Ana.

OUTRO LADO

Em nota, o advogado Paulo Klein, que representa Queiroz, afirmou que está tranquilo. Eis a íntegra:

“A defesa de Fabrício Queiroz recebe a informação a respeito da recente medida de busca apreensão com tranquilidade e ao mesmo tempo surpresa, pois absolutamente desnecessária, uma vez que ele sempre colaborou com as investigações, já tendo, inclusive, apresentado todos os esclarecimentos à respeito dos fatos. Ademais, surpreende que mesmo o MP reconhecendo que o juízo de primeira instância seria incompetente para processar e julgar qualquer pedido relacionado ao ex-deputado o tenha feito e obtido a referida decisão, repita-se, de forma absolutamente desnecessária.”

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