Cartão Vermelho, Mato Grosso Do Sul

Com repasses milionários, “imperador” do futebol de MS é alvo do Gaeco

Governo do Estado repassou quase R$ 1,4 milhão à federação de futebol de MS no ano passado. Presidente da entidade, Francisco Cezário, é o principal alvo da operação.

“Imperador” da Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul (FFMS),  Francisco Cezário de Oliveira, uma espécie de “presidente vitalício” está recebendo cartão vermelho por meio de uma operação comandada pelo  Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado) nesta terça-feira. Só de repasses estatuais a Federação recebeu quase R$ 1,4 milhão no ano passado. 

A suspeita do Ministério Público é de que Francisco Cezário, que tem 77 anos e que comanda a entidade faz mais de três décadas, esteja envolvido em lavagem de dinheiro. Parte destes recursos é proveniente do governo estadual, que todos os anos patrocina o campeonato estadual, que neste ano teve o Operário de Campo Grande como campeão. 

Promotores e policiais do Gaeco fizeram buscas na sede da Federação e na residência de Cesário, que se mantém no cargo por conta do apoio que recebe e que dá à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 

Em tese, o comando da Federação não teria nenhum atrativo para que alguém quisesse se perpetuar no posto. O futebol de Mato Grosso do Sul  é o terceiro píor dentre todas as federações e a instituição sempre está no vermelho.

Pelo menos é isso o que apontam os balanços patrimoniais da FFMS. No ano passado, por exemplo, o prejuízo foi de R$ 218.506,94. No ano anterior, o resultado foi pior ainda, com prejuízo de R$ 492.182,71. 

Somente do Governo do Estado a Federação recebeu R$ 1.359,619,00 no ano passado.  Deste montante, R$ 1,014,490,00 foram para patrocinar o estadual de Série A. Para o campeonato de futebol feminino foram outros R$ 245.145,00. Para ajudar a custear a Série B, a Fundesporte liberou outros R$ 99.984,00. Os dados fazem parte do balanço anual publicado no site da instituição. 

Neste ano, somente para o estadual da Série A foram repassados outros R$ 1.212,120,00. Estes repasses, porém, não fazem parte do período investigado. 

O advogado da Federação, André Borges, divulgou nota afirmando que “nessa fase qualquer investigação é sempre unilateral; logo ela será submetida ao necessário contraditório; devemos aguardar os esclarecimentos, que serão prestados, oportunamente”.

  • CorreioDoEstado / NERI KASPARY E NAIARA CAMARGO
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