Presidente do Inep deixa o cargo menos de 20 dias após assumir

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Equipe HuffPost

O Inep (Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais), responsável pelo Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) perdeu seu terceiro presidente desde o início do governo Bolsonaro. Elmer Vicenzi, que estava no cargo havia menos de 20 dias, deixou o posto nesta quinta-feira (16), na primeira baixa sob a gestão de Abraham Weintraub na Educação.

Segundo o MEC (Ministério da Educação), Vicenzi, que assumira em 29 de abril, pediu para sair sem detalhar os motivos. Jornais, no entanto, apontam que o ministro teria sido demitido por divergências internas.

De acordo com o jornal O Globo, interlocutores disseram que Vicenzi, ex-delegado da Polícia Federal, foi responsabilizado pelo erro recente de Weintraub em uma coletiva de imprensa. O ministro falou que o custo da avaliação do ensino básico seria de R$ 500 mil e não R$ 500 milhões, o valor correto.

Vicenzi também teria tido uma rixa com a consultoria jurídica do Inep e causado incômodo entre os funcionários por andar armado, segundo o jornal.

Os jornais Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo também afirmam que Vicenzi discordava de integrantes da área jurídica ao defender a divulgação dos dados produzidos pelo Inep, como avaliações e indicadores educacionais. A procuradoria é a favor do sigilo dos dados, que envolvem informações de alunos e escolas.

Ainda segundo o Estado de S. Paulo, Vicenzi também incomodava por sua posição em relação ao Enem. Ele teria elogiado a forma como a prova – que constantemente é alvo de críticas dos Bolsonaro e da ala ideológica do governo – é feita hoje, e teria “inutilizado” o relatório da comissão de conservadores  formada para analisar as questões do Enem.

A segunda mudança no Inep durante o governo Bolsonaro ocorre um dia antes do fim das inscrições para o Enem, que já tem mais de 5 milhões de participantes.

Vicenzi assumiu o posto um mês após a demissão de Marcus Vinicius Rodrigues, em 26 de março. Seu antecessor caiu após anunciar que acabaria com a avaliação de alfabetização. O Inep depois voltou atrás, mas aplicando a avaliação de maneira amostral.

Rodrigues tinha sido a indicação do governo Bolsonaro para substituir a presidente anterior, Maria Inês Fini, demitida em 14 de janeiro.

Questões do Enem e AGU

Nesta semana, Vicenzi tinha participado de um encontro na Comissão de Educação da Câmara, no qual revelou que o presidente Jair Bolsonaro não tinha pedido ainda para ver as questões do Enem, como prometeu ainda durante a campanha.

O então presidente do Inep, contudo, disse que consultaria antes a Advocacia-Geral da União se Bolsonaro fizesse a solicitação.

“Se o presidente pedir, fará obediência normativa. Havendo normativo, fará. Não havendo, não fará. Quem fala sobre normativos? A Advocacia-Geral da União. Não fui procurado, mas caso chegue a isso, tenha certeza de que a AGU será instada a se manifestar sobre o procedimento”, declarou.

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