Para congressistas de MS, bate-boca de Bolsonaro e Macron é coisa de ‘garotos mimados’

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Já para outros, por trás do pega, há interesses comerciais querendo prejudicar o Brasil

Celso Bejarano, de Brasília

Para uns parlamentares da bancada de Mato Grosso do Sul, em Brasília, os recentes bate-bocas implicando os presidentes brasileiro Jair Bolsonaro (PSL) e o francês Emannuel Macron beiram a uma discussão que se iguala a conversa de “garotos mimados”. Já para outros, o mandatário francês estaria criando um factoide como meio de desmerecer a potência agrícola que é o Brasil.

Macron e Bolsonaro trocam farpas há pouco mais de uma semana, desde que a informação de que a Amazônia estava pegando fogo. O presidente Bolsonaro não gostou de comentários feitos pelo mandatário francês. Depois disso, o G7, grupos de países mais ricos do planeta, entre os quais a França, ofereceu R$ 83 milhões para combater o incêndio.

Bolsonaro disse ter rejeitado a proposta e impôs ainda uma condição a Macron, que deveria pedir a ele desculpas por tê-lo chamado de “mentiroso”. Noutro episódio, o presidente brasileiro curtiu uma mensagem publicada em rede social deixando a entender que a mulher de Bolsonaro seria “mais bonita” que a de Macron.

O ACHAM OS CONGRESSISTAS DE MS

“Minha impressão é a de que está faltando uma dimensão diplomática. Não pode se reduzir a um bate-boca de garotos mimados. Porque um pede desculpa e outro faz cara feia, isso não é relacionamento entre países, é preciso conferir uma dimensão diplomática para que as instituições possam chegar a um denominador comum”, disse o deputado federal Fábio Trad (PSD), que prosseguiu:

“Enquanto houver esse bate-boca, perde o Brasil e, evidentemente, perde o mundo, na medida que a Amazônia continua queimando”.

O TopMidiaNews pediu a opinião dos deputados sul-mato-grossenses, mas nem todos quiseram se manifestar.

Doutor Luiz Ovando, deputado federal do PSL, partido de Bolsonaro, enxerga o episódio de modo distinto:

“O que tenho sentido é que vivemos outra fase. Meu presidente, o Bolsonaro, é topetudo, ele não se abaixa para determinada situação. Estamos vivendo uma época que o país nunca teve um presidente tão determinado em defender as causas e os interesses do país. Pela característica dele, ele fala muitas coisas que, às vezes, na minha forma de ver, deveriam ser contornada. Ele não fala mentira, fala a verdade”.

O parlamentar diz, também, o motivo da indignação de presidente Bolsonaro:

“O presidente da França, por sua vez, está defendendo atrás um grupo econômico, que são os agricultores. Por que? Porque o Brasil inutiliza esses países pela potência agrícola. Existem potências políticas, nuclear, bélica e o Brasil é uma potência agrícola. E ponto. E Brasil vai vender seus produtos a preços muito mais barato que os franceses. E ele criou um factoide dizendo que a Amazônia está sendo desmatada, que o presidente Bolsonaro está fazendo isso, permitindo, conversa mole”.

Luiz Ovando critica ainda o fato de que a “Bolívia estava pegando fogo, Paraguai pegando fogo e ninguém fala nada. Ouvi dizer que tem 100 mil Ongs na Amazônia e, no Nordeste, nenhuma, tem algo de errado nisso. Vou até pesquisar”, afirmou o deputado, que concluiu:

“Bolsonaro está defendendo o interesse do país, o Brasil é uma potência agrícola. A França está ameaçada por este aspecto. Bolsonaro é presidente do Mercosul, que fechou acordo com a União Europeia depois de 20 anos. Há muito interesse e Bolsonaro não ficaria quieto”.

MAIS OPINIÕES

A senadora Simone Tebet, do MDB, afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que “prefere não entrar nessa polêmica”.

Já a senadora Soraya Thronicke, por rede social, como sempre faz, apoiou o presidente Bolsonaro.

Dagoberto Nogueira, deputado federal do PDT, criticou a atitude que chamou de agressiva proferida por Bolsonaro contra a primeira-dama francesa.

“Na última semana Bolsonaro insultou a mulher do presidente da França, Emmanuel Macron, totalmente deselegante, uma verdadeira diplomacia fora do tom. Vergonha deste presidente (Bolsonaro), que age com total despreparo e desrespeita as mulheres, esquece que precisamos estar em sintonia com todas as economias mundiais. Em reunião, o G7 decidiu que iria ajudar o Brasil com US$ 20 milhões para combater às queimadas, ajuda essa que foi rejeitada por Bolsonaro. O que podemos esperar desse desgoverno?”, afirmou o pedetista.

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