Os possíveis homens fortes do governo Bolsonaro

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Por Louis GENOT

Generais em ministérios importantes e um ultraliberal no comando da Economia: o presidente eleito Jair Bolsonaro terá em janeiro um gabinete formado em sua maioria por homens sem experiência política.

O capitão do Exército na reserva quer reduzir de 29 para 15 o número de ministérios e não pretende estabelecer uma coalizão com base em troca de cargos.

“Temos a sinalização que Bolsonaro vai tentar reinventar o presidencialismo de coalizão que temos no país. E esse será seu maior desafio”, afirma Marcio Coimbra, coordenador da Pós-Graduação em Relações Governamentais da Universidade MacKenzie, em Brasília.

O governo incluiria quatro ou cinco generais, de acordo com Gustavo Bebianno, presidente do Partido Social Liberal (PSL) e possível ministro da Justiça.

Bolsonaro tenta apresentar “uma imagem de ordem, mas pode ter dificuldades na interlocução com o Congresso”, afirma o cientista político Geraldo Monteiro, coordenador do Centro Brasileiro de Estudos de Pesquisas sobre Democracia (Cebrad) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

A seguir alguns dos homens que devem integrar o governo Bolsonaro:

Paulo Guedes, o guru econômico

Bolsonaro admite que não entende de economia, mas afirma que confiará o ministério da Fazenda a Paulo Guedes, um economista de 69 anos formado no liberalismo da Universidade de Chicago.

O economista Paulo Guedes em foto de 21 de outubro de 2018 no Rio de Janeiro © Fornecido por AFP O economista Paulo Guedes em foto de 21 de outubro de 2018 no Rio de Janeiro

Guedes pode se tornar um “superministro”, no comando das pastas da Fazenda, Indústria e Comércio, Planejamento, além da secretaria de Investimentos Públicos. Seu credo: privatizar para reduzir a dívida pública.

Após a vitória de Bolsonaro, ele prometeu “mudar o modelo econômico do país”, com privatizações e um controle mais estrito das finanças públicas.

Onyx Lorenzoni, o regente da orquestra

O deputado Onyx Lorenzoni em uma entrevista na sede de campanha do candidato Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 2018 © Fornecido por AFP O deputado Onyx Lorenzoni em uma entrevista na sede de campanha do candidato Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, em 11 de outubro de 2018

Parlamentar há mais de 20 anos, primeiro na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (1995-2002) e depois na Câmara Federal, Lorenzoni, 64 anos, é considerado o cérebro da campanha de Bolsonaro. É filiado ao partido Democratas (DEM) e reconhecido por iniciativas de combate à corrupção.

“Ele tem uma grande experiência no Parlamento, sabe como funciona”, assegura Coimbra.

Nos últimos anos, ficou conhecido por ter sido o relator de um projeto de lei anticorrupção.

General Heleno, o modelo

O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, em foto de 8 de julho de 2004 em Porto Príncipe, Haiti © Fornecido por AFP O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira, em foto de 8 de julho de 2004 em Porto Príncipe, Haiti

Augusto Heleno Ribeiro tem a admiração de Bolsonaro. O general foi seu instrutor na Academia Militar nos anos 1970 e deve ser seu ministro da Defesa.

O oficial da reserva, que foi comandante da Missão da ONU no Haiti (Ministah), poderia ter sido vice-presidente de Bolsonaro, mas o Partido Republicano Progressista, ao qual é filiado, rejeitou a indicação.

Oswaldo Ferreira, um general “verde”… oliva

Ex-chefe do Departamento de Engenharia e Construção do Exército, o general Oswaldo Ferreira, 64 anos, é mencionado como possível ministro dos Transportes. Foi o responsável por elaborar o programa de campanha de infraestrutura e meio ambiente.

Em uma entrevista recente ao jornal O Estado de S.Paulo, citou com nostalgia a época em que construía estradas na Amazônia, durante a ditadura militar (1964-85). “No meu tempo, não tinha MP e Ibama para encher o saco”, disse.

Marcos Pontes, o astronauta

O astronauta Marcos Pontes em Brasília, 22 de agosto de 2007 © Fornecido por AFP O astronauta Marcos Pontes em Brasília, 22 de agosto de 2007

Piloto de caça e astronauta, Marcos Pontes, 55 anos, foi o primeiro brasileiro a viajar ao espaço, em 2006, a bordo do foguete Soyuz, que o levou à Estação Espacial Internacional (ISS), onde passou uma semana.

Considerado um herói nacional, o astronauta poderia se tornar Ministro da Ciência e Tecnologia em um governo de Bolsonaro.

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