Nota de repúdio de autoridades pode decretar fim do Festival de Inverno de Bonito

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Durante os shows, artistas e parte do público fizeram xingamentos contra Bolsonaro

Vinícius Squinelo

A nota de repúdio assinada pelo prefeito Odilson Soares (PSDB) e pelo vereador Jorge Figueiredo (PMDB), irmão do atual vice-prefeito José Arthur de Figueiredo, contra as manifestações no Festival de Inverno de Bonito pode decretar o fim do evento.

Apesar da realização do Festival, que durou uma semana, ter movimentado mais de R$ 10 milhões para economia da cidade, o momento de crise financeira e a diminuição todo o ano de investidores através da Lei Rouanet, culminando agora com as críticas, podem pôr fim ao festival, fazendo de sua vigésima edição também a última.

A própria presidente da Fundação de Cultura, em seu discurso de abertura, na presença do prefeito Odilson Soares, do governador Reinaldo Azambuja (PSDB) e diversas autoridades, já alertava para o fato de fazer “mais com menos”, em alusão ao corte de verbas, um terço menor do que o Festival anterior (FIB 2019).

Agora a polêmica criada pelo próprio prefeito e pelo vereador do MDB pode espantar ainda mais os patrocinadores, que estão querendo distância “dessas picuinhas partidárias de vaiar a turma a ou b da política brasileira”. A frase é de empresário de passeios da cidade, se mostrando bastante preocupado pelo fato do prefeito “institucionalizar” uma posição que devia ser apenas pessoal da parte dele.

Outro empresário, João Viscaíno, declarou ser “extremamente desnecessário” o que ocorreu durante os shows. “Não tenho nada contra Bolsonaro e nem a favor do PT, mas não é o momento”, resumiu.

Viscaíno preferiu não opinar sobre possíveis perdas de patrocinadores para os próximos eventos, mas reforçou a ideia de ter sido um protesto “desnecessário”. “Não sei o preço que vamos pagar por isso. De qualquer forma foi desnecessário. Eles deveriam estar desmistificando o ódio e fazendo alegria”, disse se referindo aos cantores Gal Costa e Lenine.

Foi durante o show desses artistas que o público, juntamente com eles, gritou “Bolsonaro, vai tomar no C*”.

A presidente da Fundação de Cultura Mara Caseiro resumiu o episódio entre “falta de educação e desrespeito”. Para ela, a manifestação do público é até compreensível, mas quando há influência de quem está no palco a situação é diferente.

“Têm momentos da gente fazer nossas manifestações, mas não em um show pago com recursos públicos. Eles foram contratados para cantar e mostrar o potencial deles como artistas”, declarou.

Mara Caseiro não acredita em prejuízos para os próximos festivais, com exceção de uma regra que deverá ser imposta pelos próximos patrocinadores: a da imparcialidade. “Eles [artistas] têm de fazer uma autoanálise porque ali não podia ter viés político”, finalizou.

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