Limpeza de terreno pode custar mais de R$ 2 mil e vizinhos apelam para ‘bom senso’ de proprietários

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Sesau estaria estudando alternativa para limpar terrenos e repassar a conta aos donos

A dor de cabeça mais comum entre moradores de diversas regiões é constatar que terrenos vizinhos estão sujos e abandonados, o que oferece riscos à saúde devido a possibilidade de contrair doenças, como a dengue. Mas não é só isso: terreno sujo também pode significar a invasão de bichos peçonhentos, como o escorpião, principal temor popular neste período de chuvas.

A situação, porém, pode mudar num futuro próximo, devido a estudo que está sendo realizado pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Uma das alternativas que são cogitadas é ter acesso aos locais, realizar a limpeza e passar a conta dos serviços para os proprietários dos terrenos.

Segundo a Sesau, a ideia é fazer a notificação dos proprietários dos locais e, em não havendo uma manifestação ou devida conduta no prazo de tempo pré-estabelecido, caberia ao município fazer a intervenção necessária, sendo os custos empregados nesta força de trabalho contabilizados e enviados ao proprietário. Assim, o proprietário iria arcar com tais despesas, que envolvem desde o pagamento de pessoal, insumos e material, a maquinário.

Entulhos, terras e muito mato são retratados de terrenos abandonados. (Foto: Fala Povo | Midiamax)

Tiago Souza, de 30 anos, morador do bairro Sayonara, convive diariamente com o problema de um terreno abandonado. O espaço fica ao lado de sua casa e está em situação precária há um ano. Desde que se mudou para o endereço, nunca viu nenhuma movimentação para limpeza.

“É tenso, porque eu tenho um filho de 8 anos. Agora, com as chuvas, é perigoso uma dengue. E foi meu filho que viu um escorpião. Ele estava deitado e viu ele na parede da cabeceira da cama”, conta. Segundo Tiago, a aparição do animal peçonhento estaria relacionado ao mato alto e às chuvas.

Muitos moradores também reclamam da falta de bom senso dos donos destes terrenos, que abandonam e os deixam “a Deus dará”. A principal reclamação é que os proprietários “somem” e não deixam nenhuma pessoa cuidando.

Quanto custa limpar um terreno?

Em média, os terrenos urbano possuem as dimensões de 12m po 30m, ou seja, 360m². Segundo Ronaldo Silva Gomes, proprietário de uma empresa responsável por estas limpezas, o proprietário de um terreno nessa dimensão pode gastar até R$ 2.270.

No orçamento feito pelo proprietário, a conta é feita da seguinte maneira: frete custa R$ 200, descarte dos resíduos é R$ 180 e o valor é multiplicado pela quantidade de viagens feitas pelo serviço, além do valor do maquinário que é de R$ 750.

Ronaldo explica, ainda, que se o dono do terreno limpar o local neste mês de janeiro, precisará limpar novamente em meados de maio, por conta da chuvarada que recai sobre a cidade nos primeiros meses do ano. Posteriormente, após a estiagem, um terreno normalmente voltaria a ser limpo somente em dezembro.

Na época de chuvas, o empresário também afirma que os pedidos de orçamentos dobram e por isso a demanda ficam cada vez maiores, diferentemente dos meses em que as chuvas cessam.

Insegurança e receio de animais e doenças

Alguns moradores relataram ao Jornal Midiamax que sentem medo destes terrenos abandonados pela hipótese de esconderem pessoas, terem animais como cobras e escorpiões por todas as partes e claro, o risco de doenças, como a dengue.

Mariella Mamede Duarte Abdallah, de 35 anos conta que não deixa seu filho brincar no quintal por temer que ele seja picado por um escorpião. “Tenho um filho de um ano. Morava em apartamento e mudei para uma casa para ele ter mais espaço para brincar, mas agora com essa situação não deixo ele no quintal”, diz a mãe.

“Morro de medo, sem contar os mosquitos que aumentaram demais aqui em casa”, acrescentou. Mariella afirma que os vizinhos estão bem preocupados por ninguém se preocupar com a situação, principalmente os donos deste terreno, que estaria sob a responsabilidade de uma imobiliária.

A sujeira do terreno já se espalha pela rua e passou a incomodar os moradores. (Foto: Fala Povo | Midiamax)

A avaliação feita pelo motorista Edilson Camargo, de 36 anos é que o terreno próximo a sua residência no São Conrado, só piora por conta da “ajuda” dos moradores que insistem em jogador lixos e entulhos. A situação, contada por ele, só piora, apesar de o local estar sem limpeza há pelo menos quatro anos.

“É horrível. Temos insegurança, correndo risco de ter alguém escondido no terreno. Sem contar nos riscos de doenças. Animais peçonhentos entrar na minha casa, é uma situação muito ruim”, salientou o motorista, que acrescenta que por algumas vezes, limpou o terreno por conta própria.

Edilson afirma que existe um senhor que cuida do terreno, mas que nunca viu o proprietário, o que dificulta uma conversa para colaborar evitando riscos à saúde dos moradores.

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