Envolvido na máfia dos cigarros, sargento da PM é condenado a 18 anos de prisão em Campo Grande

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Ele alegou que R$ 1 milhão na conta do filho era fruto da renda da família

Thiago de Souza e Nathalia Pelzl

O 2º sargento da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, Ricardo Campos Figueiredo, foi condenado a 18 anos e dez meses de prisão e perda da função pública, na tarde desta segunda-feira (17), no Fórum de Campo Grande. Ele foi apontado como membro da quadrilha dos ”policiais cigarreiros”, que a operação Oiketicus desmantelou em maio deste ano.

A decisão do juiz Alexandre Antunes da Silva, da Auditoria Militar, prevê que Ricardo não pode recorrer em liberdade e vai aguardar recurso no Presídio Militar, no Jardim Noroeste.

Os crimes atribuídos ao sargento são corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Conforme o Ministério Público Estadual, a investigação constatou que havia depósitos nas contas do filho de Ricardo, que não possui renda. O montante nas contas do garoto chegou a R$ 1 milhão e vinham do esquema criminoso.

Outro fato que chamou a atenção dos promotores é que os envios de dinheiro para a conta do filho do sargento não eram identificados, a fim de não possibilitar o rastreamento dos remetentes do dinheiro.

Ainda segundo o MPE, Ricardo comprou um carro Corolla e uma caminhonete Hilux. Além disso, adquiriu uma chácara onde deu o carro de passeio como entrada, R$ 35 mil em transferência e cheques pré-datados.

A defesa contestou a argumentação dos promotores Gerson Araujo e Cristiane Mourão, e afirmou que acusação trouxe apenas suposições.

A grande soma de dinheiro na conta do filho foi explicada por Ricardo, durante o julgamento, como sendo fruto da renda dos últimos quatro anos dele, da esposa, do filho, além de dinheiro de moai e da empresa D9, que atuava no ramo de pirâmide financeira.

O caso do sargento Ricardo ganhou notoriedade na imprensa, já que na ocasião em que a polícia entrou na casa dele, o militar correu para o banheiro e tentou destruir os telefones celulares que usava.

Oiketicus

A Operação Oiketicus foi deflagrada em maio, quando o Gaeco e a Corregedoria da Polícia Militar prenderam 21 pessoas, principalmente nas cidades do interior. Militares de altas patentes comandavam um esquema dentro da polícia que fazia vistas grossas para contrabandos de cigarros vindos do Paraguai. Em troca, a propina era grande e chegava a até R$ 100 mil por mês.

O tenente-coronel da PM, Admilson Cristaldo, é apontado como um dos chefes da quadrilha. Ele já foi condenado a três anos de prisão por obstrução de justiça, ao se recusar a dar a senha do aplicativo de mensagens para os investigadores.

Todos os militares presos na Oiketicus foram denunciados e alguns condenados.

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