‘Bill Gates Pantaneiro’: caminhos unem e distanciam empresário preso de bilionário da informática

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No rastro do MPF há década, empresário de MS acumula patrimônio e desperta suspeitas

Celso Bejarano

Nascido em Figueirão – um pequeno distrito na região de Camapuã (MS) que virou cidade em 2005 – em março de 1962, 56 anos atrás, João Roberto Baird ganhou o apelido de “Bill Gates Pantaneiro” por uma razão: os dois, guardadas as devidas proporções, ficaram milionários por explorarem atividades ligadas à informática.

Mas há uma elástica dessemelhança moral entre eles: William Henry Gates, o conhecido Bill Gates, 63, tornou-se bilionário, magnata, por fundar a maior empresa de software do mundo, a Microsoft. Hoje, segundo a revista Forbes, Bill, famoso filantropo, é o segundo mais rico dos Estados Unidos da América com patrimônio de US$ 97 bilhões.

Já Baird foi preso nesta semana na “Computadores de Lama”, sexta fase da “Lama Asfáltica”, operação da Polícia Federal que investiga a suposta participação do dono de fazendas e empresas de informática em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de bens.

A fortuna dele ainda é calculada, mas já supera a casa dos milhões de reais. Investidas da Receita Federal, CGU (Controladoria Geral da União) e PF sabem que parte da dinheirada de Baird, dono de fazendas no interior de Mato Grosso do Sul, empresa no Paraguai, imóveis em São Paulo e Campo Grande, foi ajuntada por meio de fraudes.

RELATÓRIO COMPROMETEDOR

Aqui trecho do relatório da PF no âmbito da “Computadores de Lama”, deflagrada terça-feira passada (27) e que pôs Baird na cadeia: “primeiramente, ressalta-se que a principal fonte pagadora da Mil Tec [empresa de informática], é o poder público, pois conforme informação apresentada em DIRF [que é o programa gerador da declaração da Receita Federal], a citada empresa [Mil Tec] foi destinatária de R$ 88.941.485,32, oriundos de contratações dos anos de 2016 e 2017. Após receber os recursos, a pessoa jurídica distribui lucros e dividendos aos seus sócios formais, Ricardo Fernandes e Rosimeire Aparecida, no valor de R$ 28.538.559,64. A maior parte dos valores recebidos pelos sócios são destinados a João Baird a título de pagamento das quotas de capital e do ágio relacionados a elas”.

Segue o relatório, “além disso, a Receita Federal verificou que Ricardo Fernandes utilizou os recursos provenientes na aquisição da Fazenda Santa Clara, a qual foi transferida diretamente para João Baird”.

Evidencia que a Mil Tec era, de fato, de Baird, outro trecho do relatório, como este: “logo, a partir de 2016, segundo verificado pelos investigadores, foi planejada uma estrutura que permitisse a João Baird continuar sendo o destinatário dos recursos oriundos de contratos a Mil Tec com o poder público, sem que este contasse no quadro societário, configurando uma prática de ocultação de bens, direitos ou valores – lavagem de capitais – com o objetivo de afastar o real beneficiário da origem dos capitais”.

FACHADA

A PF revelou ainda que Baird era o dono da Itel Informática, empresa que fechou as portas depois da primeira da Lama Asfáltica, em julho de 2015. Ainda assim, o empresário preso continuou arrecadando milhões de reais por meio de contratos que a Itel, sua empresa, celebrava com o Estado. Tanto que o pacto com o governo foi transferido para a Mil Tec, empreendimento de Baird na prática, não no papel.

Baird usou também ao menos uma dezena de laranjas para captar dinheiro até fora do país, como em banco espanhol instalado na Argentina e no Paraguai. Até favorecido com o Bolsa Família, programa federal destinado para famílias carentes, foi inserido no pacote de negócios que teriam sido tocados para ocultar os bens de João Baird.

O empresário foi preso preventivamente, medida que não tem data certa para expirar.

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