Após 32 anos, nenhuma mulher tomará posse na Assembleia

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Deputado Paulo Corrêa deve ser confirmado na presidência por não haver concorrente ao cargo

Renata Volpe Haddad

Depois de 32 anos, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul, inicia hoje (1º) a Legislatura sem uma mulher eleita deputada. Essa é a primeira vez, desde 1987, em que a Casa de Leis não terá uma representante feminina.

A 1º Legislatura estadual foi em 1979. Dos 24 deputados, nenhum era mulher. A história se repetiu na 2º Legislatura, que teve início em 1983, sem nenhuma representante feminina nem na Mesa Diretora e nem assumindo uma cadeira.

Porém, em 1987, duas mulheres fizeram história e foram eleitas: Marilene Coimbra, do extinto PDS e Marilu Guimarães, do antigo PFL, atual Democratas.

Mas, na 4º Legislatura, em 1991, nenhuma mulher foi eleita, mas Marilene assumiu mandato como suplente e Marilu, foi eleita deputada federal.

Marilene foi a primeira a conseguir participar da Mesa Diretora, em 1993, sendo a terceira vice-presidente.
Por dois mandatos, de 1995 até 2003, apenas Celina Jallad (MDB) foi eleita deputada. Em 1997, Celina foi indicada e assumiu a vice-presidência da Mesa, na Casa de Leis. Durante oito anos, ela foi a única representante mulher da Assembleia sul-mato-grossense.

Por dois mandatos, de 1995 até 2003, apenas Celina Jallad (MDB) foi eleita deputada. Em 1997, Celina foi indicada e assumiu a vice-presidência da mesa, na Casa de Leis. Durante oito anos, ela foi a única representante mulher da Assembleia sul-mato-grossense.

Na legislatura de 2003 a 2007, o plenário, até então formado por 23 homens, mudou. Celina foi reeleita para mais quatro anos e Simone Tebet, também do MDB, foi eleita. Francisca Felisbela de Barros, a Bela Barros (PDT), assumiu como suplente, sendo a primeira vez que a Casa teve três representantes femininas.

Em 2000, Celina conseguiu espaço novamente na mesa diretora, mas, desta vez, como segunda vice-presidente. De 2003 a 2005, ela se manteve no cargo, mas perdeu a cadeira na mesa para Semy Ferraz (PT).

Celina não conseguiu ser reeleita em 2007, porém, entrou como suplente e atuou ao lado de Dione Hashioka (PSDB). Em 2009, Dione foi indicada e assumiu a segunda-secretaria da Casa Legislativa.

Ainda na linha do tempo, na legislatura de 2011 a 2015, Dione Hashioka foi reeleita, e Mara Caseiro, ainda no PTdoB, foi eleita como deputada estadual. Nessa legislatura, Dione foi a segunda vice-presidente por quatro anos e Mara, a terceira vice-presidente. Foi a primeira vez na história em que a mesa diretora da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul teve duas representantes femininas ocupando um lugar na mesa diretora.

Em 2015, novamente a Casa de Leis teve três mulheres representando a classe. Foram eleitas Antonieta Amorim, Grazielle Machado, ambas do MDB, e Mara Caseiro (PSDB).

Durante essa legislatura, Grazielle foi a segunda vice-presidente e Mara permaneceu com a terceira vice-presidência. Elas mantiveram essa cadeira durante os quatro anos, acabando a legislatura, ontem.

Na análise do sociólogo Paulo Cabral, mesmo sem nenhuma representatividade feminina na Assembleia Legislativa, Mato Grosso do Sul tem duas senadoras e duas deputadas federais. Ele se refere a Simone Tebet, Soraya Thronicke (PSL) e às deputadas Rose Modesto (PSDB) e Tereza Cristina (DEM), que é a ministra da Agricultura. Outra mulher pode assumir a cadeira de Tereza como suplente, Bia Cavassa (PSDB), mas ela ainda não foi convocada.

“Temos uma bancada com duas senadoras e duas mulheres deputadas federais. Isso é altamente significativo”, comentou o sociólogo.

Segundo Cabral, embora a representação feminina na Assembleia tenha reduzido, em termos globais, cresceu. “De oito cadeiras na Câmara dos Deputados do Estado, duas são de mulheres, ou seja, 25%. No Senado, a representatividade é 67% feminina”, afirmou.

Sobre o retrocesso na Assembleia com relação a nenhuma mulher ter sido eleita, o sociólogo avaliou que nada impede que Rose ou Tereza possam lutar pela causa. “Rose pode encampar interesses das mulheres e a questão de gênero, que não é apenas biológica, mas, sim, política”, explicou.

Na avaliação de Dione Hashioka, o Estado perde sem ter uma deputada eleita. “As mulheres têm sensibilidade, um olhar mais geral, elas conseguem elaborar emendas que os homens não deslumbram”, comentou.

Segundo a ex-deputada, uma representante feminina na Casa de Leis faz diferença. “Na questão de famílias, aos municípios, ainda mais em uma época em que duas mulheres não foram eleitas. Os eleitores querem a mulher no poder, mas a conjuntura política deixou para trás estas mulheres, por causa de coligação”, avaliou.

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