Aos 10 anos, Ester segue os passos do avô na paixão pela música

Share on whatsapp
Share on facebook
Share on twitter
Share on print

CRISTINA MEDEIROS

Ela conta que aos 4 anos já se metia no meio dos alunos do avô Jorcy Neves Luís, 79 anos, – criador da Orquestra Violeiros Mirins de Campo Grande – e queria se sentir parte daquele universo. “Claro que eu não sabia tocar, então, pegava o violão e arrastava no meio dos guris, pedindo para afinar”, conta a menina Ester Dias de Oliveira, hoje com 10 anos, que de lá para cá nunca mais largou o violão e, principalmente, a viola caipira de 10 cordas, seu instrumento preferido.

Criada pelo avô Jorcy e pela avó Sebastiana Dias Neves (coordenadora da orquestra), desde cedo mostrou interesse em aprender a tocar o instrumento. “Pedi para ele me ensinar, porque, mesmo sendo pequena, se todo mundo conseguia aprender, eu também podia, né?!”.

Desinibida, comunicativa e demonstrando amor incondicional pela música caipira, Ester conta, com orgulho, que será a herdeira musical do avô. “Ele bem que tentou ensinar minha mãe e meus tios, mas ninguém aprendeu, não tocam nada. Mesmo quase não enxergando [o avô tem baixa visão], ele me ensinava. Era um pouco difícil para os dois, principalmente para ele, porque eu era agitada e queria aprender tudo logo. Meu avô me ensinou tudo o que eu sei, mesmo tocando de ouvido”.

Sobre a neta, Jorcy é só elogios. “Tenho uma herdeira que é apaixonada pela música caipira. Ela sempre foi uma boa aluna no violão, mas se superou na viola caipira. Além disso, toca teclado e berrante como ninguém”, diz ele.

A dedicação ao aprendizado da música rendeu a Ester um inestimável presente. “Ganhei do meu avô a viola caipira dele, foi muito lindo. E aprendi a tocar pagode de viola. Sim, porque, se você toca viola caipira e não sabe tocar pagode de viola, não pode ser chamado de violeiro”.

Assim, João Carreiro e Pardinho, Délio e Delinha, Cacique e Pajé, Almir Sater, Rolando Boldrin, entre tantos outros nomes da música caipira estão entre os preferidos da menina. “Também gosto do Alex e Ivan e da Bruna Viola, mas as músicas dela são difíceis, estou tentando aprender”.

Para quem acha que a rotina de Ester se divide apenas entre a escola, a casa e a algumas apresentações na Orquestra do avô, está muito enganado.

“Além de tocar, eu também canto. E então minha família achou que seria legal me apresentar”. Surgiu, então, Ester Só Viola, que conta com a participação de Luis Eduardo no contrabaixo e Guilerson (o Grilo), na segunda voz.

“Tudo começou no fim do ano passado. A gente começou a tocar demais por aí, em bingo, chácara, aniversário, almoço beneficente. No Dia das Crianças, durante uma apresentação, um radialista me viu lá e convidou para apresentar um programa de rádio”.

Sim, é isso mesmo! Ester, que concluiu a quinta série este ano, apresenta o programa “Jovem Sertanejo”, sempre aos sábados, das 14h às 16h, na rádio NT (Notícias do Transporte), que pode ser baixada pelo aplicativo ou por meio de um link. “Apresento o programa sozinha. Agora, já está muito mais fácil, decoro todas as músicas que vou apresentar. O ouvinte pode pedir música e também me ouvir tocar ao vivo”.
Sobre fazer muitas coisas ao mesmo tempo, com tão pouca idade, a menina é taxativa. “Sabe, eu acho muito chato ter aquela vida que é só ir de casa pra escola, da escola para casa. Rotina de criança é muito chata e eu resolvi fazer várias coisas diferentes. Porque a vida sem música fica cinza e a minha é muito colorida!”

ORQUESTRA

Enquanto ensinava a neta, o violeiro e professor Jorcy sempre deu sequência ao projeto musical iniciado há 12 anos com a criação da Orquestra dos Violeiros Mirins de Campo Grande, que funciona no Bairro Jardim Campo Belo e chegou a ter 25 integrantes, todos formados pelas aulas de violão e viola caipira ministradas por ele. Hoje, o projeto se mantém com 11 integrantes e espaço aberto a quem quiser aprender. Esse projeto atende dezenas de crianças e adolescentes, na faixa etária de 7 a 16 anos. O maestro Jorcy ensina seus alunos a tocar a viola caipira de forma gratuita e sem apoio público, apenas contando com poucos colaboradores. “Ensinar os jovens é algo que me dá muito prazer, me dá ainda mais força de vontade para fazer as coisas, ajuda na saúde do corpo e da mente”.

Print Friendly, PDF & Email
HIPER